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Seja bem-vindo ao portal da Fundação Dr. António Agostinho Neto, nosso objectivo é promover a pesquisa e divulgação da vida e da obra do Dr. António Agostinho Neto; Promover actividades para melhorar o bem-estar e a condição dos angolanos; A promoção da educação, da ciência, da tecnologia e da cultura, para incentivar a criação e a inovação, de todo o tipo e sob todas as formas, e a investigação científica e tecnológica.

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Discurso de aceitação do grau de académico correspondente da academia Galega de Lingua portuguesa

em Santiago de Compostela, Galiza, a 14.1.2017.

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Exmo. Senhor Presidente da Academia, Rudesindo Soutelo
Exmo. Senhor Vice-Presidente da Academia, Ângelo Cristóvão
Exmo. Senhor Secretário da Academia, Joám Evans
Exmos. Senhores Académicos
Distintos
Convidados

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Venho da África austral, onde no sul de Angola, as províncias do Cunene e do Cuando Cubango lembravam aos exploradores portugueses as terras do fim do mundo. Chegando eu ao Reino de Espanha, na Península Ibérica, na Comunidade Autónoma da Galiza, passando ao lado do Cabo Finisterra, onde outros descobridores, romanos, pensavam ter chegado ao final do mundo conhecido, vislumbrei alguns paralelismos neste eixo atlântico, de norte a sul, não apenas geográficos mas certamente culturais.

A língua é claramente uma corrente de circulação que nos aproxima, de forma surpreendente, criando cumplicidades e pertenças históricas, culturais, apesar dos dialectos e subdialectos, falares e subfalares diferentes. Alguns a baptizaram com o fraternal conceito de "irmandades da fala", juízo que não impede dissidências ortográficas ou mesmo políticas, fonéticas ou etimológicas, no espaço crescente da língua portuguesa para uns e da lusofonia para outros.

Fico feliz pelas simpatias que me acolhem nesta bela e histórica cidade de Santiago de Compostela, na Casa da Língua Comum, onde vim aceitar, na presente cerimónia, a condição de Académica Correspondente e tornar-me membro deste laudatório grémio de ilustres personalidades, na sequência do Acordo da Sessão Plenária da Academia Galega da Língua Portuguesa que assim o definiu.

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O quesito das línguas reveste-se de força identitária e é de uma delicadeza, não apenas cultural, como política e económica. Este veículo comum de afirmação, de símbolos e sons, numa musicalidade própria de afectos e histórias, de comércio e de cultura, de preservação e de resistência legítima e até gloriosa, faz com que sociedades tão díspares e distantes, de pé quando o universo se ajoelha perante mundos de maior preponderância, se procurem e se agrupem em academias de letras e comunidades de países, tal como esta Academia Galega de Língua Portuguesa e a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

Tendo Angola adoptado, aquando da sua independência em 1975, o português como língua oficial, esta afirmou-se rapidamente como uma língua nacional, dentro do nosso variado mosaico etnolinguístico. À semelhança do que ocorreu noutros países que foram colonizados por potências estrangeiras, paradoxal e ironicamente, a língua do colonizador acabou por ser o cimento unificador do território nacional, povoado de comunidades com línguas diferentes e um elemento da mesma identidade nacional.

A história da aculturação e assimilação durante séculos travou e atrasou a modernização das línguas nacionais maternas. Assim, para acompanhar os avanços tecnológicos, económicos e culturais, a língua portuguesa, híbrida pelos matizes locais próprios, desde o sotaque à inclusão de vocábulos de outras línguas nacionais, tornou-se no traço de união territorial, de Cabinda ao Cunene e do mar ao leste.

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Desde os Descobrimentos portugueses do século XV, a língua portuguesa convive com múltiplas línguas e perdeu a pureza original indo-europeia, itálica, românica, galaico-portuguesa. Podemos dizer que os habitantes dos territórios por onde aportaram as caravelas de Vasco da Gama, Diogo Cão e outros, aprenderam a língua conquistadora mas esta, por sua vez, foi polinizada pelas línguas e costumes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Macau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e persiste ainda no Japão, Malásia, Indonésia, Singapura, Senegal, Togo, Índia, Sri Lanka e até na língua suaíli. Como uma abelha, a língua portuguesa foi, de porto em porto, atracando conceitos, tecnologias, bens e costumes diversos nas comunidades locais. Já se disse bastas vezes que a globalização começou com os intrépidos marinheiros portugueses que se fizeram aos mares, navegando para horizontes cada vez mais longínquos, arrastando tripulações, a bem ou a mal, nas suas embarcações em nome d´El Rei.

A Fundação Dr. António Agostinho Neto, criada em 2006 para preservar e divulgar o legado do seu patrono assim como contribuir para a promoção da educação, da ciência, da tecnologia e da cultura assim como da investigação científica e tecnológica, entre outros objectivos, firmou um acordo com a Academia Galega da Língua Portuguesa no sentido de cooperar e reforçar as relações culturais no âmbito da Língua Portuguesa, trazendo vantagens competitivas, culturais e económicas recíprocas.

A língua portuguesa tem hoje cerca de 280 milhões de falantes, sendo o português a 4ª língua mais falada do mundo depois do mandarim, do espanhol e do inglês, a 3ª mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul da terra. Do "pequeno jardim à beira-mar plantado" na península ibérica, o idioma de Camões é uma das línguas oficiais da União Europeia, do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas, da Organização dos Estados Americanos, da União Africana e dos Países de Língua Portuguesa. É a única língua no mundo que coexiste com dois Acordos Ortográficos em vigor, o de 1945 e o de 1990 devido às polémicas e divergências entre os países signatários.

Com a eleição por aclamação do Eng.º António Guterres para Secretário-geral das Nações Unidas, o primeiro português para tal cargo, a língua portuguesa poderá ganhar uma nova projecção e visibilidade política, e tornar-se uma das línguas oficiais desse importante organismo internacional.

A Fundação Dr. António Agostinho Neto enquanto Observador Consultivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, colaborou com o Governo da República de Angola para a proposta de candidatura da Academia Galega de Língua Portuguesa à categoria de Observador Consultivo na CPLP de modo a ampliar o âmbito da CPLP e sua representatividade como um dos blocos geopolíticos e linguísticos numericamente significativo e de elevado potencial económico, representando 4% da riqueza mundial. Tal proposta de candidatura insere-se igualmente no espírito da Lei 1/2014, de 24 de Março aprovada pelo Parlamento da Galiza para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia.

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Termino estas breves palavras a vós dirigidas para expressar a satisfação de aqui estar, na atlântica e matricial Galiza, de onde se derramaram as palavras que nos chegaram pelo mar e deram mundos ao mundo. Agradeço a honraria da inclusão nesta prestigiada Academia Galega de Língua Portuguesa. Compete-nos, agora, evoluir, a cada tempo que passa, por mares aéreos, com novas naus e sem remos, para as futuras aerotrópoles que se constroem e confluem e definem o modo como viveremos no futuro.

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Como disse o poeta António Nobre no seu poemário "Só",
Hei-de fazer parte do mar.
Não serei água nem serei espuma,
Não serei o sal nem serei a bruma:
Apenas ânsia de navegar.

E ainda o poeta Agostinho Neto em "A voz igual" do livro Sagrada Esperança,

Do caos para o reinício do mundo
para o começo progressivo da vida
e entrar no concerto harmonioso do universal
digno e livre povo independente com voz igual
a partir deste amanhecer vital sobre a nossa esperança

Muito grata pela vossa atenção.

Irene Alexandra Neto

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