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Discurso de recebimento da Académica Correspondente Irene Alexandra Neto,

lido pelo Académico Joám Evans Pim na Casa da Língua Comum, a 14 de janeiro de 2017

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Edição original publicada a teor do Convénio de Cooperação assinado em Santiago de Compostela, Galiza, a 19 de fevereiro de 1992 entre as Irmandades da Fala da Galiza e Portugal e a União dos Escritores Angolanos. Cadernos do Povo, Revista Internacional da Lusofonia, N.º 19-22, 1991.

Em 2017 cumprem-se 25 anos desde que, em Santiago de Compostela, as Irmandades da Fala da Galiza e Portugal, representadas por José Luís Fontenla e Maria Rosa da Rocha Valente, e a União dos Escritores Angolanos, representada por João André da Silva Feijóo, lavraram o primeiro convénio de colaboração entre entidades culturais galegas e angolanas. Aquele instrumento de colaboração e intercâmbio era fruto de anos de trabalho conjunto, iniciado nas reuniões do Acordo da Ortografia Simplificada do Rio de Janeiro de 1986 e na do Acordo Ortográfico de Lisboa de 1990, das que derivaram inúmeras atividades culturais como o primeiro e segundo Congresso Internacional de Literaturas Lusófonas ou o Congresso Internacional "A Língua Portuguesa no Mundo".

Também se editaram pela primeira vez na Galiza obras de autores literários angolanos e doutros países africanos de expressão portuguesa: Mátria da Palavra. Antologia de poetas galegolusófonos (1990), Cartas de amor, de Lopito Feijóo (1990), Poesia angolana de amor dos anos 80 (1991/1992), O coro dos poetas e prosadores de São Tomé e Príncipe (1992), etc., todas elas do prelo das Irmandades da Fala da Galiza e Portugal, através da série Cadernos do Povo. Dentre essas inúmeras edições, a Academia Galega da Língua Portuguesa quis recuperar e reeditar nesta ocasião uma singular antologia de poesia angola, preparada por Lopito Feijóo, na altura Secretário da União dos Escritores Angolanos, precisamente a teor do Convénio de Cooperação Cultural que agora cumpre um quarto de século, e que se incluia como anexo na publicação original.

Em 2010 a Academia Galega da Língua Portuguesa, herdeira do trabalho das Irmandades da Fala da Galiza e Portugal de dinamização das relações da Galiza com o resto do mundo de expressão portuguesa, promoveu um novo Convénio de Cooperação e Apoio Recíproco entre a instituição galega e a Fundação Dr. António Agostinho Neto, em termos muito similares ao formalizado em 1992. O protocolo, assinado em 13 de abril por Maria Eugénia da Silva Neto, Presidente do Conselho de Fundadores da FAAN, Irene Alexandra Neto, Presidente do Conselho de Administração da FAAN, José-Martinho Montero Santalha, Presidente da AGLP, e Ângelo Cristóvão, Secretário da AGLP, facilitou, entre outras ações, o apoio do Governo da República de Angola à canditatura da AGLP ao estatuto de observador consultivoda CPLP, processo ainda em andamento, que, sem dúvida, tem ainda muitos frutos por oferecer.

A tomada de posse como Académica Correspondente da Academia Galega da Língua Portuguesa da Dr.ª Irene Alexandra Neto, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Dr. António Agostinho Neto e Deputada da Assembleia Nacional de Angola, representa mais um passo no fortalecimento das relações culturais da Galiza com a Angola, iniciadas há mais de um quarto de século pelo Movimento Lusófono Galego, e que nesse ínterim produziram insuspeitados desenvolvimentos. Lembre-se, por exemplo, a intervenção do galego Xosé Lois García ante a Assembleia Nacional de Angola em novembro de 1997, no quadro do I Congresso da Literatura Angolana, que começava com as palavras "Venho de uma nação sem Estado, chamada Galiza, com uma língua própria do bloco linguístico lusófono".1 E, mais significativa ainda, a emergência de toda uma geração transnacional de criadores angolegos, gentílico criado pelo escritor angolano Ndalu de Almeida, Ondjaki,2 e que já assumiram recohecidos criadores como Pepetela ou Aline Frazão.

Esta última artista, cujo primeiro disco Clave Bantu (2011) foi precisamente gravado aqui, em Santiago Compostela, incluindo colaborações de Ondjaki e músicos galegos, publicava em 2014 um brilhante artigo no jornal digital Rede Angola intitulado "Trocar a Lusofonia pela Galeguia"3 apelando ao papel da Galiza na vertebração do mundo de expressão portuguesa: ... a Galiza deveria ocupar a cadeira que lhe é merecida na CPLP, mesmo não sendo um Estado. (...) a entrada da Galiza poderia fazer do espaço lusófono um lugar menos marcado pelo passado político e mais centrado na língua comum, como plataforma de partilha cultural, económica, académica, etc. (...) cabe aos galegos continuar a sua luta pela reintegração linguística e cabe-nos a nós conhecer, apoiar e empurrar esses passos. Como sempre, a Cultura caminha muito à frente das Oficialidades. Há anos que existe uma intensa partilha cultural entre os países de língua portuguesa e a Galiza. O Festival Cantos na Maré é um bom exemplo disso.

Músicos, escritores, actores, cineastas e demais agentes culturais têm consolidado essa troca, essa amizade e essa pertença mútua com ainda tanto por descobrir.

Também é certo que nos últimos anos se somaram, às trocas culturais e académicas, as de natureza económica e empresarial, estando presentes em Angola importantes empresas galegas e sendo mais frequentes os negócios entre ambos os países. A Lei 1/2014, de 24 de março, para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia, aprovada de forma unânime no Parlamento da Galiza após uma Iniciativa Legislativa Popular promovida pelo Movimento Lusófono Galego com o apoio de mais de 17.000 assinaturas, representa atualmente mais uma oportunidade para desenvolver e intensificar os intercâmbios e colaborações que espontaneamente se vieram gerando na sociedade civil.

É por isso que damos a nossa melhor acolhida à mais nova angolega, a Dr.ª Irene Alexandra Neto, nesta embaixada comum do mundo de expressão portuguesa na Galiza que é a Casa da Língua Comum, e que desde hoje é também a sua casa e a de todo o Povo Angolano.

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