Bem-vindo à FAAN

Seja bem-vindo ao portal da Fundação Dr. António Agostinho Neto, nosso objectivo é promover a pesquisa e divulgação da vida e da obra do Dr. António Agostinho Neto; Promover actividades para melhorar o bem-estar e a condição dos angolanos; A promoção da educação, da ciência, da tecnologia e da cultura, para incentivar a criação e a inovação, de todo o tipo e sob todas as formas, e a investigação científica e tecnológica.

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A Fundação Dr. António Agostinho Neto (FAAN), representada pelo seu Administrador-Executivo, Sr. Amarildo da Conceição e pelo Sr. Walter Camueler chefe do CDI, iniciou no dia 9 de Fevereiro de 2017, o programa de distribuição de material de carácter patriótico, às Administrações Municipais e Distritais da Província de Luanda, visando contribuir para o reforço do conceito patriótico dos servidores públicos e líderes comunitários, em periodo eleitoral, através de uma maior interacção com os ideias que nortearam a vida e obra de Agostinho Neto e a sua equipa, e que culminou com a conquista da Independência Nacional.

A Direcção da FAAN elegeu o Municipio do Kilamba Kiaxi para acolher a primeira acção deste programa, na Província de Luanda, devido aos laços históricos que ligam directamente o Município, a figura do 1º Presidente da República Popular de Angola.

 (Eugénia Neto)

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E o Miguel e o Saturno, testemunhas desse facto grandioso universal, aquando de umas férias num país de neve…
A neve caía em flocos de renda, ora docemente ora em fúrias de ventos. Os tectos das casinhas de madeira, onde ela se acumulava, mal suportavam o seu peso, e só à volta da chaminé, donde saía um fumo espesso de lenha queimada, se via ainda a cor castanha da madeira. Na sala de estar, o fogo, na lareira, aquecia e alumiava-a.

Línguas vermelhas, ora eram gigantes, ora eram dragões, ora eram apenas uma gama de cores com as componentes do arco-íris, dançando sempre, num ritmo lume-luz.

O menino e o cão dormiam embalados nesta quentura e nesta magia de fogo. Momentos antes, ambos olhavam para ele, dançante, e começaram a imaginar mundos.

À força de tanto olharem para reterem a imagem, adormeceram os dois, bem junto um do outro, como companheiros inseparáveis, que eram de facto, e resolveram deixar a casinha aquecida e ir a mundos distantes, na pretensão de descobrirem a origem do universo…

Na liberdade do sonho, foram ascendendo, de pinheiro a abeto, de colina a montanha, de planalto a pico, e pairavam com os flocos da neve que vinham descendo para a terra. Agarravam alguns e faziam com eles bolas de neve, que depois punham a girar em orbitas do tamanho dos círculos que costumavam desenhar no caderno de brincar…

Sim, o Saturno sabia desenhar… costumava fazê-lo com o Miguelinho, nas horas de recreio, quando tinham terminado de estudar e ora trocavam impressões, ora desenhavam.

Quero pedir desculpa aos leitores amigos de só a meio da página introduzir o Miguel e o Saturno! No entanto, como estão já a adivinhar, são eles os personagens da nossa história. Por mérito próprio, eles ficarão célebres entre nós devido à sua aplicação ao estudo e à sua sabedoria das leis físicas do universo.

Estão de acordo? Não se zangaram, pois não?

Vamos então segui-los, penetrando no seu sonho, e com eles sonhar, na maravilhosa digressão pelo universo. Foi sonhando, e tornando palpável o que esta no nosso subconsciente, que o homem chegou à lua e a outros planetas.

Vamos nós também, através do que escrevemos, do Miguel e do Saturno, viajar pelo infinito.

Saturno e Miguel começaram a afastar-se da terra, a deixar a atmosfera terrestre, a vê-la como uma bola redonda, um pouco achatada num pólo, como uma maçã ou, mais precisamente, parecendo uma pêra a girar, a girar sobre si mesma, como o pião do Miguelinho. Pião que o Saturno tinha o desejo irresistível de morder de todas as vezes que ele girava. Mas o Miguelinho não gostava da brincadeira, e isso custava ao Saturno um puxão de barbas! Esta bola girava também à volta de uma outra grande bola de fogo, que, tinham a certeza, era o sol. E pensaram que podiam ir até mais longe e satisfazer a curiosidade de ver mais de perto as estrelas…

- Saturno, vamos lá explorar o Espaço, vamos ver se descobrimos como é que se formam os planetas. Vamos?
- Ó Miguel, tu é que ordenas… Mas não vamos voltar mais à Terra?

- Saturno, então íamos lá deixar o nosso mundo? Isto é apenas uma digressão científica!.. Mas, se não queres, fica a brincar com os flocos de neve, enquanto eu vou.

- Como assim? Quem é que te guardava pelo caminho? Parece que eu te tenho sido útil algumas vezes, não achas?

- Claro, mas aqui no Espaço não deve haver perigo!
- Isso é o que vamos ver…
- Bem, vamos depressa descobrir o universo.
- Mas, Miguel, não temos fatos de astronautas, nem nave, não temos nada! Achas que podemos ir assim?
- Ó Saturno, tu não conheces o homem, nem o seu poder! Não vês que eu posso abarcar o universo mais rapidamente do que a luz?
- Eu queria ficar, até se formar um novo mundo, estrela ou planeta!
E ficaram. O Miguel e o Saturno visitaram todos os recantos da Via Láctea e viram milhares de estrelas e de planetas.

A Via Láctea - a nossa nebulosa – pode ser vista da Terra em noites especiais. É nela que se situa o nosso sistema solar, formado pelo sol e pelos seus nove planetas. Mas há também nela milhares de outros Sóis e de outros astros. Como entre eles, horizontalmente, existem muitos gases, ela parece-nos uma grande nuvem alongada, semelhante a uma estrada no espaço celeste.

Ao contrário da Terra, que estava sob uma tempestade de neve e de ventos, havia uma calmia no Espaço – nem ventos nem sons, apenas jogos intensos de luzes. O Saturno mordiscava os pés do Miguelito, piscando os olhos.

Eles os dois eram como plumas leves, e, quando queriam chegar a uma ou outra estrela, nadavam, como meio de locomoção. Espreitavam à distância, por cima de cada planeta, tendo porém o cuidado de não se aproximarem demasiado do campo de gravidade de cada astro, para não entrarem em órbita e ficarem transformados em planetas. Isso não! Eles queriam ver todas as estrelas, mas pretendiam também voltar à Terra, ao seu planeta azulado, com a forma de uma pêra suculenta. Só queriam ver como se formava uma estrela ou um planeta.

Queriam ver como apareciam os raios e os trovões. Pretendiam até saber se se poderia ver a própria electricidade, e não apenas os seus efeitos, saber como era possível ver os raios da luz sem, no entanto, se poder prendê-los entre os nossos dedos.

O tempo foi passando… o Miguel e o Saturno já tinham andado muito pelo Espaço e visto meteoritos com cauda de lume, a correr como flechas, em órbitas momentâneas e desaparecendo para sempre. Tinham visto outros, em ziguezague, a caminhar desvairados pelo infinito, como se algum magnetismo os atraísse. Porém, já desanimavam de ver um novo planeta, ou estrela, a formar-se, e pensaram que era tempo de voltar à Terra, pois os seus amigos podiam começar a ficar inquietos!...

Quando, de repente… o Saturno ficou tenso, concentrado, até parecia que estava a espreitar alguma lebre, e apontou ao Miguelinho:

- Eh! Olha além!...
- O que é?

Com efeito, moviam-se em espiral muitas camadas de gases, com pontos luminosos, incandescentes, a uma velocidade imensa, e ventos medonhos arrebatavam tudo à sua volta para o núcleo central. Havia tilintares metálicos, havia faíscas concêntricas, azuladas, vermelhas, verdes, lilases. Havia uma auréola em gradação, com as cores do arco-íris.

- Miguel, que será aquilo? Será mesmo a formação de um astro, este tilintar e este rodopiar de cores e de ventos? Então aqui não é o vazio! Deve haver matéria, pois existe som, e só assim se compreende que se esteja a formar uma estrela! Aquelas luzes todas, devem ser diversas formas de energia, provocadas por partículas que, chocando com o centro do átomo a uma velocidade incalculável, se desprendem!

-Tu recordas-te, quando a gente estudou, de que o Albert Einstein demonstrou que toda a matéria se pode transformar em energia?
- Sim. Mas mesmo tu e eu?
- Talvez, mas não penses nisso agora!
- Então a Terra terá começado assim, e nós já fomos apenas partículas, gases, meteoritos, poeiras?
-É bem possível!
- Será que as estrelas se formam da mesma maneira que os terrenos sedimentares? Então como aparecem os granitos, os petróleos, os gases, os sais, os carbonos, os metais, as madeiras, a flora, os animais?
- Ora, isso ainda precisamos de estudar, até porque também ninguém sabe bem ainda o que acontece. Mas eu penso que a dado momento tudo colide, dão-se revoluções terríveis, arde tudo, as diversas substâncias entrelaçam-se umas nas outras e aparecem outras novas. Quando a acalmia vem, estes oceanos de lava esfriam, os vapores concentram-se, o oxigénio e o hidrogénio unem-se na proporção de um para dois, e aí temos a água; em breve aparecerá ávida vegetal, e depois a animal!

Naturalmente os planetas formam-se a partir de um núcleo central que depois atrai, camada após camada, os meteoritos do Espaço e que, por fenómenos que ainda não te sei explicar muito bem, ficam incandescentes e tornam-se astros. Esses astros podem ter luz própria durante biliões de anos, ou então apagar-se e não emitir mais essa luz, sobrevivendo ou sendo trevas conforme a distância a que estiverem de outros Sóis. Mas isto é uma teoria só minha, Saturno, uma teoria que teremos de aprofundar, além de ver o que dizem os cientistas. No entanto, o nosso planeta, embora conserve ainda o centro com calor – recorda-te dos vulcões – é um astro extinto do sistema solar, mas graças á luz e ao calor do sol, não só a vida continua como os seres se aperfeiçoam na Terra. Não te recordas de que, muito antes de aparecer a teoria evolutiva de Darwin, já Heraclito, o grande filósofo grego, afirmava que a natureza está em constante movimento e transformação?

- Não me recordo…
- Muito antes dos grandes pensadores dos séculos moderno e contemporâneo, Heraclito, que já tinha um conceito materialista do mundo, afirmou o princípio da dialéctica do Universo, segundo o qual os animais, as plantas, os minerais e tudo o mais estão em modificação constante, mesmo se são aparentemente estáticos. Por isso ficou célebre a frase de Heraclito: “Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”. Cada dia que passa, o homem perde e cria novas células. Repara que o rosto de uma criança não é o mesmo que quando se torna adulto, nem o de adulto é o mesmo que quando se torna velho!
Sabes, Saturno, eu sinto até que o homem concentra em si o Universo, com todos os seus componentes, e é assim que tem a percepção dele. Por outro lado, possui reminiscências longínquas, que datam desde a formação da Terra – mesmo se ele ainda não existia delimitado no Espaço tal como vemos desde há milhões de anos, pois que ele é matéria, em proporções determinadas, com uma estrutura específica, tudo reunido num todo. Estas reminiscências do Universo – que alguns têm a faculdade de herdar nos seus cromossomas, segundo certas teorias modernas que explicariam certos fenómenos – abrem-se como janelas para o começar do todo. Por isso nos aparecem indivíduos que, embora não abarcando cada ciência detalhadamente, têm a percepção global das leis que nos regem. Dou-te alguns exemplos dos mais destacados de que a humanidade, ao longo dos séculos se pode orgulhar, e que estão na origem de todo o progresso presente e futuro, não só em relação a Terra como, quem sabe? em relação ao Universo.

Copérnico demonstrou os dois movimentos dos planetas: rotação e translação. Galileu aderiu ao sistema de Copérnico, afirmou que a Terra gira à volta do Sol, enunciou o princípio da inércia e a lei da composição das velocidades e descobriu as leis da atracção universal e o princípio da acção e da reacção, mesmo no vácuo, e aí, meu caro, baseado neste princípio, tens o avião a reactor. Vê o alcance desta descoberta… Einstein descobriu que, para quem viaje a uma velocidade aproximada à da luz, o tempo se distende, quer dizer: a tais velocidades, um ano no Espaço corresponde a cinquenta na Terra.

Realmente a natureza faz as suas escolhas, pois nem todos os homens têm a mesma inteligência e a mesma bondade, mas acho que a isso também poderemos responder mais tarde. Vamos estudar muito, Saturno, para nós virmos também a saber muitas coisas. Queres?

- Olha, de tudo o que disseste, só retive essa de uns serem mais inteligentes que outros, e de uns serem bons e outros maus, de uns serem bonitos e outros feios. Mas então o que é isso!? Queres dizer que eu não sou tão bonito ou tão inteligente como tu? Hum… era só o que faltava!
- Não fiques amuado, Saturno, meu querido amiguinho e companheiro. Eu não fiz essa comparação. Tu, para mim, és o mais lindo cão do mundo!
- Olha, Miguel, desculpa-me; tu já conheces este meu fraco, que quero ser em tudo como tu! Mas então o Marx, o Engels e o Lenin não dizem que os homens – e isso também devia ser para os bichos – nascem todos iguais?
- Não é bem assim. Quem afirmou isso pela primeira vez foi um grande escritor de língua francesa, daquele século lá das luzes, o século dezoito da nossa era, mas não me recordo agora do nome dele. Ah! Já sei. Chamava-se Jean Jacques Rousseau. O que Marx, Engels e Lenin disseram é que todos os homens têm direito a beneficiar de facilidades iguais na vida para aprenderem a ser mais úteis, de acordo com as suas aptidões, nas sociedades em que viverem. E daí se conclui que, onde houver alegria, pão e trabalho, o homem será feliz e bom e não terá deformações de carácter.

Olha, já que enunciamos o princípio do avião a reactor, segundo as leis de Newton – no qual se baseiam também as naves cósmicas – não só quanto à atracção terrestre mas também para avançar e passear no cosmos, mesmo no vácuo – vou dar-te uma pequena ideia, porque a nossa conversa não é apenas ficção mas tem algo de cientifico, acerca das duas primeiras velocidades cósmicas que até agora foram usadas nas naves espaciais para vencer a atracção terrestre e a do sistema solar, e que eu aprendi sozinho, enquanto tu andavas aí meio louco atrás do pobre do gato siamês!

- Ah! Entramos ou continuamos no cosmos? Ou saímos? Bem, que remédio, senão ficas a saber mais do que eu e começas com pretensões… conta lá, Miguel.

- A nave espacial, à velocidade de 28.850 km/h, ou seja cerca de 8 km/s – esta é a primeira velocidade cósmica – e a uma distância de 200 a 300 km da Terra, dá dezasseis voltas ao nosso planeta. Sabias?
- Não. Continua, que esta noite vou já aprender isso tudo, ou mais ainda!
- Portanto, em 24 horas da Terra o cosmonauta vê dezasseis vezes dia e dezasseis vezes noite, imagina só! Além disso, quanto mais distante está a nave da Terra, menos velocidade tem, e chega a um ponto em que a atracção da Terra e da Lua se equilibram! Assim, para aterrar na Lua, e vencer a atracção terrestre, é preciso desenvolver a segunda velocidade técnica cósmica, ou seja, 12 km/s.
- Miguel, que coisa fantástica, o que estás a dizer-me! Então…
- Cala-te e ouve ainda o resto que eu já sei. Escuta lá mais esta coisa surpreendente: se desenvolvermos velocidades superiores a 15 km/s, a nave poderá tornar-se satélite do sol, e inclusivamente ultrapassar o sistema solar! Oh, maravilha das maravilhas, como a técnica avançou. Mas, apesar disso, eu, num instante, na concepção que tenho do infinito, percorro todas as galáxias!
- Olha, não és só tu, não penses. Eu também!
- Bom, de acordo. Eu estava só a falar de mim. Sabes ainda que a Lua está distante da Terra de 230.000 a 240.000 km, e que gira à velocidade de 2 km/s à volta da Terra? E que, no Espaço, os astros se vêem sem cintilação? Que o facto de nós vermos da Terra as estrelas a cintilarem se pode dever as duas coisas: primeiro, a que as ondas de emissão de luz das estrelas são mais curtas do que as dos planetas; segundo, a que, quando há duas estrelas na mesma órbita, se as suas velocidades não forem iguais (neste caso chama-se estrela dupla) haverá maior intensidade de luz. Se as suas velocidades forem diferentes, haverá maior cintilação, pois que as emissões de luz se fazem em instantes diferentes.

As estrelas também podem ser consideradas de primeira, segunda ou terceira grandezas, conforme são duplas ou simples, e consoante o seu tamanho ou distância a que se encontrarem de nós.

Só não sei qual é o aspecto do Sol, que está relativamente perto de nós. Penso que será uma estrela monstruosa! Que é que tu achas, Saturno?
- Olha, tudo isso é muito complicado, e eu quero voltar à Terra. Antes quero ir brincar com a neve, mordiscá-la e sentir a boca quente depois de engolir uma bolita. Quero ir dar cabeçadas nos pinheiros e nos abetos, antes de entrarmos pela nossa chaminé. Pronto! Vamos já!
- Vamos já, vamos já, não é bem assim! E então a formação da estrela ou do planeta? Fica assim? Não a queres ver aumentar, a crescer, de repente? Vai ser rápido. Vê lá com que velocidade a espiral aumenta de tamanho, em comprimento e em largura. Espera, vai ser mesmo rápido.
- Aí vai… E as sedimentações quantos anos levarão a solidificar-se? Olha, pelos anéis que essa espiral já tem, assume-se o monstro que vai daí sair! Não, eu quero ir! E toma lá uma boa dentada, para ao menos uma vez me obedeceres!...
Miguelito acordou aos gritos e apalpou a perna em sangue, olhando para o Saturno.
- Que foi isto, Saturno?
O Saturno sentou-se nas patas traseiras, ainda estremunhado, e começou a pensar…
- Ui, Miguel! Acabou de chegar de uma viagem… Eh, e estava contigo!
- E donde chegaste tu?
- Do cosmos!
- Do Cosmos!? Hum… Espera, eu também viajei… deixa ver se me lembro… olha, também fui ao cosmos; e agora me lembro – Miguel apalpou a perna dorida e a escorrer sangue – que até me deste uma dentada, porque querias voltar à Terra e eu ainda queria ficar mais um pouco. Ah, neste momento, lembro-me até muito bem do sonho e de que, sem que eu esperasse, me mordeste!

E quiseste ir comigo (recordo-me de tudo agora), dizendo que me protegias no Espaço… rico guarda, que morde o amigo! Para a outra vez não te levo, seu apressado… tanto que eu queria ver a estrela concluída!
O Saturno estava cabisbaixo, recordando também todos os factos grandiosos e inacreditáveis que tinham acontecido durante aquela noite de sonho, naquele mar de brancura que era a neve, mas muito quentinhos perto da lareira, com o fogo na chaminé, a contar histórias…

Saturno nunca pensou passar com o Miguelito umas férias tão impressionantes, e que ele, simples cãozinho amigo do seu dono, tivesse aprendido tantas coisas sérias e verdadeiras acerca do Universo e do planeta.
Teria ele ido realmente ao Cosmos no sonho, ou alguém, enquanto ele dormia, lho mostrou, contando?
Mas que lindo tinha sido!

Miguel esquecera a ferida, e, com as mãos apoiadas nos joelhos, pensava, pensava…

- Saturno, como eu me recordo de tudo, e quantas coisas eu aprendi! Aprendi mais nesta noite do que em todos os livros que temos.
- Miguel, eu também!
- E foi bom termos ido os dois no mesmo sonho e termos visto ambos as mesmas coisas. Como pôde isso acontecer?
- Então não costumamos estudar juntos? Então…
O Sol, pálido, vinha através das vidraças, não conseguindo aquecê-los devidamente, e rios pequeninos corriam ao longo delas. As cinzas, na lareira, estavam frias, e não havia mais línguas vermelhas e azuis pulando, a contar histórias maravilhosas a sério e a brincar. Umas gotinhas de chuva punham a neve vítrea e sem a leveza dos flocos de renda da véspera.
- Tenho frio – disse Saturno, enroscando-se.
O Miguelinho foi buscar um cobertor, tapou o melhor cachorrinho e foi espreitar as pessoas, a ver se já tinham acordado, pois queria lenha para acender o lume.
- Ah, já sei a que atribuir este lindo sonho. Mas foi mesmo sonho? Quem foi que contou a história? Não vi velho nem velha; o que vi ontem foram pinheiros e abetos muito altos, cheios de neve, balouçando ligeiramente, e eu desejei ser capaz de chegar ao cimo deles para poder saltar para aquela grande montanha branca e rolar nela e brincar.
“ Miguelinho, ó Miguelinho, não te preocupes tanto em saber quem foi que te mostrou as maravilhas que viste. Olha, meu filho, lê sempre muito e saberás muitas coisas!”
- Quem me chamou? Quem é a senhora? Onde é que está, pois eu não a vejo?
“ Olha, meu filho, eu estou em todo o lado, eu sou a sabedoria, e ajudo sempre os que se aproximam de mim. Aos que não estudam, eu também não ajudo. Verás como seremos bons amigos. E também gosto muito do Saturno, pois ele é muito esperto e gosta de aprender contigo”.
- Tenho frio, e quero leite quente – gemeu ainda o Saturno, debaixo do seu cobertor, enquanto o Miguelinho pensava.
“ Sei então quem contou a história. Ela mesma mo disse há pouco e me chamou até. Boa razão tinha eu em gostar de ler e de ensinar ao Saturno. Ela até gostou mesmo disso.
“ Ué! Mas agora vou deixar isso e preocupar-me em arranjar leite e lenha por causa deste friorento, e tenho de arrancá-lo debaixo do cobertor. Onde é que já se viu um cão com frio?”
Saturno dava cambalhotas sobre cambalhotas e comia as bolas de neve que o Miguel lhe atirava, com um rosnar espalhafatoso, fingindo sempre não aceitar a superioridade do amigo. O certo é que os dois já não tinham mais frio e corriam, subiam e desciam o declive da montanha num abrir e fechar de olhos.
- Que linda era a neve! Então quando o céu ficava todo de um azul lavado e o Sol incidia os seus raios nela, os olhos doíam de tanta brancura e viam ao longe, formados, os rios de gelo deslizarem a voragem…
Todas as manhãs seguintes, e durante as férias de Inverno, nos limites do trópico de Capricórnio, algures numa povoação de amigos do Miguel e Saturno, num país de neve, os nossos amigos continuam a brincar, e cada dia lhes mostra coisas novas.
Por vezes, enfiam-se por cavernas com estalactites e estalagmites, e os latidos do Saturno, assustado com as figuras estranhas que a água, ao evaporar-se, constrói, causa estragos medonhos!
- Esteja calado, seu parvo! Olhe o que fez!

O Saturno, com uma orelha em baixo e outra levantada, interrogava o dono, medroso:
- Vamos ainda?
- Ainda aonde?
- Ora, brincar!...

Lá iam eles, numa amizade, brincar e descobrir o Universo. Universo de que são parte, no ciclo perene da matéria.

 

Fundação Agostinho Neto regressou ao Alto do Cazombo, no Moxico, para cumprir a promessa de levar uma placa com o historial resumido do Presidente Fundador. Os directores Victor Bunga e Miguel Luvumbu trabalharam com a Administração Municipal e contaram com o apoio inestimável da Força Aérea Nacional para chegar ao local. A todos os nossos profusos agradecimentos. A memória, a história e a nossa identidade merecem todo o cuidado e dedicação. São os alicerces do nosso presente e futuro.

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