Fundação Dr. António Agostinho Neto

Fundação Dr. António Agostinho Neto

0%

NOTA DE CONDOLÊNCIAS

242506734_5067165223298765_1456200407445182393_n

PAULETTE PIERSON-MATHY
3 de Março de1932 – 19 de Setembro de 2021
A Fundação Dr. António Agostinho Neto tomou conhecimento, com grande consternação, do falecimento, por doença prolongada, da Professora Doutora Paulette Pierson-Mathy, ocorrido no domingo, 19 de Setembro de 2021, em Bruxelas.

A Prof. Paulette Pierson-Mathy nasceu em Saint-Servais, Bélgica, a 3 de Março de 1932. O seu interesse por outras culturas era evidente desde tenra idade. Ainda na escola, foi escolhida como académica de American Field e passou um ano no Connecticut (1948-1949). Foi também uma académica brilhante. Licenciou-se em 1956 com um doutoramento em Direito pela Universidade Livre de Bruxelas. Em seguida, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Paris pelo Governo francês, onde se licenciou com um Diploma de Direito Internacional pela Faculdade de Direito.

Iniciou a sua carreira profissional no Royal Institute for International Relations, em Bruxelas, onde trabalhou como investigadora entre 1959 e 1962. De 1962 a 1967 começou a dar aulas de direito internacional na Universidade de Liège e em 1967 foi nomeada Bolseira Sénior de Investigação no Centro Internacional de Direito e no Centro de Estudos Africanos da Universidade Livre de Brussels. Em1972, regressou à sua Alma Mater onde leccionou na Faculdade de Direito e na Faculdade de Ciências Sociais, Política e Economia.

Paulette Pierson-Mathy foi uma prolífica autora de relatórios e publicações originais que fornecem informações profundas sobre as realidades do apartheid e a luta pela libertação em África. Em 1964, publicou “La politique raciale de la République d’Afrique du Sud” (Bruxelas, Royal Institute of International Relations), na altura “um dos poucos trabalhos em língua francesa a retratar as condições de vida dos africanos na República da África do Sul”.

Escreveu sobre a acção das Nações Unidas contra o apartheid, a legalidade das lutas de libertação nacional, novas formas de luta revolucionária, a aplicação da legislação de guerra e os princípios humanitários nas operações de guerrilha, o nascimento das Nações Africanas após as guerras nacionais de libertação.

Foi uma cidadã do mundo que viajou extensivamente, partilhando os seus conhecimentos em muitos países. Em 1966, Pierson-Mathy participou no 2º Seminário sobre Direito Internacional em Genebra. Foi professora visitante no Departamento de Ciência Política e Centro de Estudos Africanos da Universidade de Boston de 1971 a 1972. Organizou um seminário sobre o contributo da luta de libertação para a evolução do Direito Internacional, a Descolonização e a libertação dos povos na Universidade de Luanda. Organizou um outro seminário sobre a luta pela libertação na África Austral na Universidade Patrice Lumumba, em Moscovo, em 1980.

Cofundadora e presidente do Comité contra o Colonialismo e o Apartheid (actual Comité da África Austral) de 1969 a 1994, interveio em nome de Nelson Mandela, na altura preso na África do Sul, nomeado Doutor Honoris Causa pela Universidade Livre de Bruxelas em 1984. Também fez campanha pela independência da Namíbia, obtida em 1990 e interessou-se muito pelo destino da Guiné-Bissau e de Angola.

Para além do seu compromisso com o Comité da África Austral, foi Secretária-Geral do Comité belga para o Apoio ao Povo Saharawi e uma das organizadoras do Tribunal de Russell sobre a Palestina, cujos trabalhos começaram em 4 de março de 2009.

A luta pela restauração da paz e do respeito pelo direito à autodeterminação dos povos oprimidos através da escrita não lhe foi suficiente; ela fez questão de visitar essas áreas pessoalmente, apesar dos perigos para si mesma. Além de organizar várias conferências internacionais sobre o estatuto da Namíbia, organizou também várias sessões da Comissão Internacional de Inquérito sobre crimes de apartheid. Presidiu a várias missões de juristas em estados da Linha da Frente, desestabilizados pela política sul-africana. Os relatos destas missões publicadas pela ONU são testemunho da sua coragem, sentido de rectidão e humanidade. Devido aos seus esforços incansáveis, reuniu-se com muitos líderes da luta de libertação na África Austral, a maioria deles eminentes intelectuais como Agostinho Neto, o primeiro Presidente de Angola, Mário de Andrade, Joaquim Chissano de Moçambique, Oliver Tambo, o então Presidente da ANC, Sam Nujoma da Namíbia, Amílcar Cabral e Vasco Cabral da Guiné-Bissau.

Foi convidada como observadora às eleições presidenciais e legislativas de Angola, em Setembro de 1992 e da África do Sul, em Abril de 1994.

As relações de solidariedade e de amizade estabelecidas com Angola, o Presidente António Agostinho Neto e a sua família, levaram-na e ao seu esposo, a receberem o título de Membros Honorários da FAAN, em 10 de Setembro de 2010.

Recebeu vários reconhecimentos em vida, tais como a Ordem nacional da Republica da África do Sul em 2019, “The COMPANIONS OF O.R. TAMBO in silver”, a Ordem da Namíbia “THE MOST EXCELLENT ORDER OF THE EAGLE,1st Class”, o título de
Cidadã Honorária de Moçambique e a
Ordem Amílcar Cabral de Cabo Verde.

Tendo em conta o historial de amizade e activismo militante do casal Pierson-Mathy em prol das lutas de emancipação política dos povos da África Austral, reunindo um conjunto de arquivos excepcionais da luta contra o colonialismo e o apartheid, sobre a solidariedade internacional, o acesso à independência pela luta armada e o processo de descolonização, a ser recolhido actualmente pelo Centre des Archives du communisme en Belgique, foi convidada a assumir a Presidência Honorária do Núcleo da Fundação Dr. António Agostinho Neto no Reino da Bélgica e Grã-Ducado de Luxemburgo.

Maria Eugénia Neto, sua família e a Fundação Dr. António Agostinho Neto, inclinam-se perante a memória da grande amiga Paulette e endereçam ao seu esposo e companheiro de luta pela conquista da liberdade de diversos povos, Prof. Paul-Louis Pierson-Mathy e ao seu neto, Amílcar, os mais profundos sentimentos de pesar e de coragem nesta hora de dor.
Fundação Dr. António Agostinho Neto

Luanda, 20 de Setembro de 2021

Notícias relacionadas

NOTA DE CONDOLÊNCIAS

A Fundação Dr. António Agostinho Neto tomou conhecimento, com consternação, da morte por doença do Prof. Pedro Peterson, ocorrida em Luanda no dia 16 de

Ver agora »
Previous Next
Close
Test Caption
Test Description goes like this